É no colo de Yemanjá que minhas lágrimas cessam
- 2 de fev. de 2022
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Jeaney Calabria | Professora, Jornalista e Escritora

02/02/2022 | 09:45
É no colo de Yemanjá que minhas lágrimas cessam.
Ela chora meu choro
E eu engulo as lágrimas de sal,
transformando-as em Força!
Sou parte do Mar.
Faço parte do Saber Ancestral!
Há mar em esperanças silenciosas
De outrora navegantes negros.
Há mar!
Sobrevivi aos tumbeiros.
E Yemanjá me ensinou como usar o espelho
Para que eu me transformasse num exército
Para sempre vencer, mesmo ante as predições de derrota!
Guardo o Oceano em minha memória.
Conheço as marés,
A curva das ondas,
Todas as Fases da Lua.
E quando estou minguando
É ela que me faz crescente!
Ah, mar...
Amar...
Há mar!
Ela recolhe conchas
E tece colchas de Luz para minhas sombras
E, em sorrisos,
Pontilha bordados de areia.
Meu Orí tem casa:
Igbá!
Conchas, búzios, cristais,
corais, areia branquinha
que adornam ideias e sonhos!
Yemanjá contém Exu: está em tudo e em todos!
Yemanjá contém Ogum: guerreia para vencer!
Yemanjá contém Oxóssi: caça entre os Olodés!
Yemanjá contém Omolu: sabe curar em silêncio!
Yemanjá contém Xangô: Ìyámassè Málè!
Placenta do mundo...
Nossa primeira morada
Antes do túnel que nos apresenta às lutas no Ayê!
Ah, doce Mãe Yemanjá!
Íyà Omi!
Trança guirlandas de rosas brancas,
De algas,
palmas e um pouco de esperança
Para enfeitar a cabeça de cada criança!
Ah, doce Mãe Yemanjá!
Pelas águas de todos os oceanos
A humanidade se reconheceu...
Doce Mãe Yemanjá!
Mãe...
Me embala na cadência do teu (A)Mar!
Odoya! Eruya!

Jeaney é Professora de Língua Portuguesa e Literatura, Jornalista e autora dos romances Capa de Veludo (ditado por Exu Veludo) e Uma nova chance (intuído por Pai Benedito de Angola). Coautora do livro Candomblé em Família, Biografia do Babalorixá Jorge Jauanilê Caribé. Umbandista e pesquisadora das religiões de matriz africana.


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